sábado, 17 de setembro de 2016

"O Avô de Margareth", uma comovente obra de Vera Dias

     As pessoas idosas são tidas em algumas famílias quase como um peso, uma pessoa que voltou a ser criança e dá trabalho. Essa mentalidade é um fato. Às vezes passa na televisão ou sai em algum jornal, revista, etc, que um idoso foi agredido, maltratado, humilhado, entre tantas outras notícias ruins. Porém, saiba, na obra resenhada hoje, o idoso é o protagonista!



    Margareth, uma menina sensível e muito humana, percebe no seu avó, um velho senhor que se mantém (e é mantido) calado e isolado nos cantos da casa, um homem que tem uma história, tem um passado, uma vida, e plena capacidade de amar e se sentir amado.



    A família, entretanto, não deixa que Margareth se aproxime dele, simplesmente por acharem que ele é perigoso demais pra criança, que é um velho rabugento que não sabe diferenciar tão bem as coisas e pode acabar tratando a própria neta com certa tirania. É bem triste. Sufocante. Margareth não vê o avô exatamente dessa jeito, ela tem certo temor, mas sente que pode se aproximar do homem e acabar descobrindo uma pessoa legal, um avô que goste dela, que participe de sua vida.





    Todos os palavrões que Margareth aprendeu até completar nove anos, ouviu do avô - um velho franzino, que já conheceu de pijamas, sentado na poltrona da sala. Um velho capaz de passar semanas sem dar uma palavra, de permanecer horas olhando para uma mesma parede e de, num repente, levantar-se ensandecido, para xingar móveis e utensílios de toda a casa. Um velho que nunca lhe contara histórias antes de dormir, nunca a levara ao parque num domingo, nem lhe dera chocolates antes do jantar. Um velho que lhe apresentaram como avô. Um avô diferente de todos os de que já ouvira falar. Um avô com o qual não se conformava. 
("O Avô de Margareth", página 9)

     Os motivos para o comportamento do avô, que, obviamente, não vou contar aqui, são de fazer pensar muito... pensar no amor, no sentido da vida, na saudade, na solidão, no conceito de família, na esperança... Margareth é a luz no fim do túnel, túnel este que nada mais é que uma vida cheia de passados, presentes e futuros necessitados de algum tipo de atenção e afeto.






    Li este livro bem rápido numa tarde de algum dia que não lembro agora. A rapidez não foi só porque o livro tem só 60 páginas (é curtinho, vai?), mas porque é um livro tão, mas tão bom e tão bonito, que confesso, me arrancou algumas lágrimas e alguns sentimentos que encheram meu coração... saudade e amor... amor e saudade... sentido de viver. É um livro que está, sem dúvida, na minha lista de favoritos.



     Talvez essa seja a resenha mais curta até agora, mas o livro nem precisa de tantas palavras, porque é tão lindo que ele se explica sozinho, consegue ser amado e admirado sozinho, sem precisar que eu diga pra você "Leia, pelo amor de Deus, é muuuuito bom". Não. Esse livro é daqueles que, sozinhos, nos convidam a ler. E nós, leitores, nos sentimos levados involuntariamente a gostar da leitura. Gostar de Margareth, Gostar do avô de Margareth.

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Mais uma postagem no blog. Isso me deixa muito feliz. Essa resenha deveria ter sido publicada na quinta-feira, mas como fiz um acordo de publicar hoje, pela noite, aqui está. Espero mesmo que você tenha gostado e corra logo pra ler esse livro lindo! 

4 comentários:

  1. Oi, Jéssika! =]
    Fiquei tão curiosa para ver a resenha deste livro quando vi a foto no instagram e cá estou. ^^ Nossa, gostei demais da resenha! Achei tão delicada e cheia de emoção a maneira como você escreveu que sinto que este é um livro que vou gostar muito de ler e por isso já até deixei anotado na minha lista de livros que pretendo ler. Gostei muito das fotos da postagem e do que você disse sobre este ser um livro que nos convida a ler. E, bom, eu realmente sinto que este livro esta me convidando para uma leitura. =)
    Beijinhos ♥

    Contadora de Histórias

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    1. Puxa vida, que lindo seu comentário, Débora! Fico tão feliz que você tenha ficado com vontade de ler "O Avô de Margareth", é um livro lindo mesmo, você vai gostar! Muito obrigada por visitar o blog e me conta quando ler essa obra, viu? Beijinho. ♥

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  2. Oi amore.
    Tudo bem?
    Que legal a proposta desse livro.As pessoas da terceira idade são tão deixadas de lado na literatura.Legal um livro que de foco a isso.
    Fiquei curiosa para saber porque ele é tão rabugento
    Pela sua resenha esse livro é bem amorzinho.

    Beijos

    Meu mundinho quase perfeito

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    1. Oi, tudo bem, melhor ainda porque você gostou da resenha! Espero que goste do livro, ele é realmente um amorzinho! Beijinho. ♥

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